Boca e cérebro: uma conexão invisível com efeitos profundos

por Giliano Verzeletti
29 de maio de 2025

Doença Periodontal e Alzheimer

Em 2008, quando publiquei no primeiro site da nossa clínica um texto sobre a possível relação entre inflamações gengivais e doenças neurológicas, esse ainda era um tema pouco conhecido fora do ambiente acadêmico. Naquele mesmo ano, havia sido publicado o estudo pioneiro que lançou as bases científicas dessa hipótese: o artigo de Angela Kamer e colaboradores, intitulado “Alzheimer’s disease and peripheral infections: the possible contribution from periodontal infections”, na revista Journal of Alzheimer’s Disease¹.

Desde então, o que era apenas uma proposta teórica se transformou em uma linha de pesquisa sólida e promissora. A doença periodontal — inflamação crônica das gengivas causada por bactérias — é conhecida por seus efeitos locais, como sangramento gengival, retrações e perda dentária. Mas hoje sabemos que seus efeitos podem alcançar outras partes do corpo, incluindo o cérebro.

Pesquisas demonstraram que bactérias como a Porphyromonas gingivalis, envolvidas na periodontite, foram identificadas no tecido cerebral de pacientes com Alzheimer. Essas bactérias produzem toxinas que podem desencadear inflamação cerebral e contribuir para a formação das placas amiloides — um dos principais marcadores da doença Alzheimer. Além disso, a periodontite provoca uma resposta inflamatória sistêmica que, ao persistir, pode agravar danos neuronais e acelerar o declínio cognitivo.

Essas descobertas sugerem que processos inflamatórios iniciados na gengiva podem, ao longo do tempo, participar de mecanismos ligados à neurodegeneração. Estudos longitudinais indicam que pessoas com doença periodontal têm maior risco de desenvolver Alzheimer, e que o controle da inflamação gengival pode ter impacto na progressão da doença.

Diante disso, torna-se ainda mais relevante cuidar da saúde bucal de forma preventiva e regular. O acompanhamento profissional, a escovação adequada e a atenção a sinais precoces, como sangramentos gengivais, são formas de proteger não apenas o sorriso, mas também funções essenciais como a memória, o raciocínio e a autonomia. Na Verzeletti Odontologia, acompanhamos com atenção esses avanços da ciência. Entendemos que a boca faz parte de um sistema integrado, e que o cuidado com a saúde gengival pode refletir em dimensões da saúde que vão muito além do sorriso.

¹ Referência: Kamer, A. R., Craig, R. G., Dasanayake, A. P., Brys, M., & Glodzik-Sobanska, L. (2008). Alzheimer’s disease and peripheral infections: the possible contribution from periodontal infections, model and hypothesis. Journal of Alzheimer’s Disease, 13(4), 437–449. https://doi.org/10.3233/JAD-2008-13409

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